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quinta-feira, 30 de abril de 2009

DA FACULDADE DE A.T.E.I



Chega o dia em que vos conto acerca das "aulas"(depois perceberão o porquê de estar entre aspas) e dos professores da Universidade de ATEI, que descobri hoje não fica em Salónica, mas sim em Sindos, que embora fazendo parte da cidade, é quase como uma província. Um pouco como São Mamede de Infesta pertence ao Porto.(estamos sempre a aprender...).
Tivemos na quarta-feira seguinte a cá chegarmos, no dia 4 de Março, às 10:30 da manhã uma reunião onde receberíamos horários, bem como indicações e informações acerca do funcionamento das aulas e dos professores que iriam dar as mesmas. Desde logo: decepção! Eu e o Cristiano tínhamos tantas cadeiras planeadas antes de cá chegarmos, e descobrimos que quase 80% das cadeiras aqui já nem existiam mais, e tornou-se imperativo refazer o horário de imediato. Verificamos que há aulas de manhã e tarde, com excepção da sexta-feira de tarde, onde aqui nada se faz a não ser sentar na esplanada a beber Frappé e a exibir os novos Ray.Ban comprados na rua em frente a um dos muitos vendedores ambulantes, e que cá entre nós, parecem mesmo autênticos! Então, e após muitos rascunhos, finalmente ficamos com o horário feito. Ou assim pensávamos nós!! Entretanto perdemos a conta da quantidade de vezes que tivemos de trocar disciplinas, substituir pormenores devido à "preenchida" agenda dos professores. Mas no final, tudo acabou por pender a nosso favor, temos apenas aulas Segunda, Terça e Quinta. As aulas de Segunda-Feira como eram dadas por uma professora que estava no final da gravidez, a partir do início de Março ficamos também com esse dia disponível(para quem quer tirar umas férias aqui e "estudar" nos intervalos, isto é o que chamamos um paraíso!).
Os professores no geral são muito flexíveis e compreensivos. A professora de Tourism Destinations Managment e Quality Managment for Tourism Accomodations(a tal que estava grávida), é extremamente simpática e divertida. Possuí também um sotaque grego tão cerrado no inglês, que durante as aulas ou eu e o Cris estamos constantemente a rir, ou então muito mas muito atentos para tentar perceber o que ela quer dizer...Terça temos Heritage Tourism and Museum Managment e a professora é muito inteligente e a que melhor falar inglês. Claro que o facto de ser Canadiana, ajuda. E segundo a nossa amiga Marli, também tem a particularidade de ser muito parecida com a Celine Dion(Celine se estiveres a ler, não ligues ao que ela diz...). De seguida temos Central Reservation Systems, onde lidamos com o programa Amadeos e o professor é muito cómico. Adora falar nele na 3ª pessoa, e parece estar sempre sob o efeito de algum medicamento, dado que revira os olhos de forma insistente sempre que precisa pensar no que deve dizer. De tarde temos Greek Culture and Civilization, com uma professora absolutamente fanática por igrejas e religião. Tivemos sorte em faltar ás duas primeiras aulas desta cadeira, dado que todos tiveram que dançar danças tradicionais gregas, e isso teria arruinado a minha reputação na Grécia e possivelmente em toda a Europa, uma vez que temos colegas um pouco de toda a parte. Quinta-Feira começamos bem cedo com International Enterpreneurship, e o professor é também muito bem-disposto e a curiosidade é que é uma versão um pouco mais velha do Cristiano. Daí que ele evite sempre olhar para ele, sendo que é quase uma brincadeira do destino para ele saber como será daqui a uns 10 anos. A aula seguinte é sem dúvida a mais chata de todas as que temos, Enterprise Resource Planning, em que o professor só sabe falar e preocupa-se muito pouco com o facto de ali estarmos para aprender e não memorizar. Ah!...também temos uma "disciplina" chamada Cultural Visits, onde todas as semanas vamos a museus, igrejas ou passear pela cidade com a professora de Greek Culture e Civilization. Esta é possivelmente uma das mais complicadas. Porquê?! A professora leva-nos constantemente a igrejas e nós bem tentamos estar atentos e interessados, mas após nos sentarmos a ouvir um salmo cantado(mal cantado) por gregos ortodoxos, só queremos fugir!
Acabei agora mesmo de fazer a Pré-visualização e apercebi-me que o Post de hoje está muito longo, por isso, a todos os interessados, ou até mesmo a todos os curiosos, deixo o convite para cá passarem amanhã, com a promessa da conclusão do Post de hoje, e mais umas novidades!

terça-feira, 21 de abril de 2009

D'UMA UNIVERSIDADE



Olá novamente! Tal como vos disse, os primeiros dias na Grécia não foram realmente dignos de constarem nos livros de memórias felizes das nossas vidas. Este novo dia é o 2º, e aquele onde tivemos de nos deslocar pela 1ª vez à Universidade de ATEI, de Thessaloniki.
Após uma noite descansada e onde pudemos carregar energias, acordamos e dirigimo-nos para a paragem do autocarro e uma das pequenas coisas que pudemos verificar de positivo é que aqui os autocarros são de pontualidade inglesa e relativamente confortáveis. As senhas para estudantes são 25 cêntimos e o dobro para os não estudantes, o que não é de todo dispendioso. Estivemos todo o tempo calados porque queríamos ouvir a paragem que a Yota no dia anterior nos tinha indicado como a correcta para sair, e que soava qualquer coisa como "Ionnos Dragoumi". Paragem a paragem, ouvimos a voz off dizer o nome das paragens em grego e em inglês. Foi ela a nossa primeira, e possivelmente única professora de grego ao longo desta longa caminhada ERASMUS. Aprendemos "Epomenh Staci" (Próxima Paragem), o que para nós, é já motivo de orgulho. Depois da paragem referida, ainda caminhamos um pouco e temos de entrar num outro autocarro para a estação e lá sim, temos o nº 52 que vai directamente para ATEI. É uma autêntica batalha aquela que os gregos vivem diariamente para entrar nos autocarros! Inacreditável, toda a gente a tentar entrar ao mesmo tempo e arranjar um local para se sentarem. Acrescento ainda que todas as 3 portas do autocarro se abrem e não existe fila para entrar, é cada um por si!
A faculdade, bem...como vos digo, acho que é um retrato fiel das primeiras universidades do séc XV, mas sem o lado bonito, quer da arquitectura, quer da estética, ou até mesmo das pessoas que a frequentam. Lá dentro tudo é permitido, uma vez que a polícia não tem autoridade para entrar na mesma. Acham que respeitam o "Não fumar dentro de locais fechados!"? Ou o não deitar lixo no chão? E não escrever nas paredes ou até mesmo na preservação do espaço? Pois, desenganem-se! Para quem estuda no ISCAP, como eu e o Cris, aquilo é quase como entrar numa trincheira em tempos de guerra. Algo positivo?... Sim, o facto de termos conhecido o Philip, muito à custa da coragem do Cris que lhe perguntou pelo gabinete ERASMUS, e ele não só nos levou lá, como soubemos que esteve em Portugal a fazer ERASMUS, mais propriamente em Faro. E as casas de banho são maioritariamente turcas, eu até explicaria ao pormenor o que isso significa, mas aconselho os mais destemidos a pesquisarem por vocês próprios...
Após termos lá chegado, e preenchido uma série de papelada para obtermos os nossos passes de almoço e de estudante, ficamos também a "conhecer" o António(estudante do Algarve). Saímos e fomos apressadamente para a cidade, tentar descobri-la, conhecer os seus cantos, as ruas, as pessoas...e onde ficava o Mcdonald´s mais próximo, porque estávamos cheios de fome(algo muito comum em nós).
Curiosidade: aqui comem as batatas fritas com um pequeno garfo em forma de tridente! Quem é que tem coragem de tirar todo o prazer de comer as batatas do Mcdonald´s?! Enfim, coisas gregas, mas como se costuma dizer.. na Grécia, sê Grego e nós bem tentamos.
No próximo dia, possivelmente amanhã, prometo contar-vos um pouco acerca dos nossos passeios pela cidade, com tudo o que ela tem de extraordinário e de carismático.
Até lá, termina aqui a realidade D'UM OUTRO DIA.

sábado, 18 de abril de 2009

D'UM GRANDE DIA (FINAL)



Após algum tempo de ausência, que é explicado por ter viajado até à Bulgária(estejam atentos porque em breve irei relatar tudo), com o Cris e com a Dana, cá estou de novo para vos relatar o nosso 1º dia aqui em Salónica.
A Yota conduziu um bom tempo pelas estradas gregas, e se eu pensava que os portugueses são maus condutores, alegrem-se compatriotas porque aqui na Grécia é "salve-se quem puder"! Os condutores não respeitam nada, nem a eles próprios. O cinto de segurança é interpretado como um acessório inútil e por isso aqui não se usa. Talvez a parte de ser "cinto de SEGURANÇA" ficou perdido na tradução para os gregos, e eles acham que não é preciso.
À medida que andávamos por Salónica, apercebemo-nos que todas as boas casas e prédios estavam a ficar para trás e que nos aproximava-mos da zona mais velha e antiga da cidade, e para quem está habituado como nós a viver no Porto, perto de tudo e onde a cidade se aglomera e palpita em Paranhos, não é propriamente uma sensação de "lar doce lar" aquela que tivemos num primeiro rescaldo. Assim, e acompanhados por 3 gregos, a Afroditi(nome curioso para a dona da casa), o Dimitrios(marido da Afroditi) e o pai dele, que não nos recordamos do nome por isso baptizamo-lo de Xaristo, ou em bom português chato!
A casa estava escura, e mal decorada, e a apresentação que fizeram dela não nos motivou nem um pouco para os 4 meses que se avizinhavam complicados e carregados de saudades das pessoas que deixamos no Porto e mesmo da cidade. Mas, e depois dum longo dia, só queríamos que chegasse a altura de eles irem embora para descansar e podermos explorar a casa e as redondezas por nós próprios. Temos aqui pequenas lojas com tudo o que é necessário para o dia-a-dia, mas agora que já conhecemos mais a cidade, temos noção que exageram nos preços, daí que optamos por isso ir ao nosso tão famoso DIA. Ficamos a saber que o nosso melhor amigo seria o autocarro nº 23, que nos liga ao centro da cidade e ao mar. Nesse ponto, temos muita sorte! Em 20 minutos podemos percorrer toda a cidade e chegar onde é importante. No final, e antes de se despedir, a Yota deu-nos uma senha a cada um para no dia seguinte nos apresentarmos no Gabinete ERASMUS da Universidade de ATEI, e algumas indicações e saiu sem que até ao dia de hoje a voltássemos a ver. Também, e cá entre nós, o facto de ela ter bebido água da torneira é mau, mas verte-la para dentro de um copo que nunca tinha sentido certamente o suave e limpo toque da água, e por isso estava negro no fundo, não deixou saudades. A cama estava feita com lençóis do IKEA da secção de criança. Outros dois pormenores que devo acrescentar é o frio que sentimos aqui em casa, é de facto algo impressionante! E finalmente o facto de possuirmos um terceiro quarto, mas que está trancado e até ao dia de hoje não fazemos ideia do que se encontra no interior. Só sabemos que antes de irem embora, os donos da casa fizeram questão de dizer que não tínhamos "nada a ver" com aquela divisão, mas não deixa de ao mesmo tempo que aguça a curiosidade de saber o que se encontra por detrás da misteriosa porta, assusta-nos um pouco imaginar o que poderá lá existir.
Estávamos assim prontos para enfrentar Salónica, ERASMUS e esta nova experiência de só dependermos de nós e perceber o que é a vida noutro país, com outra cultura e mentalidade...