Como prometido cá estou de volta para finalizar o Post sobre a viagem a Sofia, que comprovou o que o nosso amigo Miroslav Tomov(também estudante na nossa Universidade, que reside na Bulgária, mas em Plovdiv) nos disse, "Após visitarem a Bulgária, se saírem de lá vivos, vão perder o medo a qualquer outra coisa". A realidade é que após a viagem, e voltarmos a Salónica, eu, o Cris e a Dana conversamos exactamente do facto de neste momento nos sentirmos muito mais corajosos e audazes do que previamente.
A determinada altura, decidimos ir comprar souvenirs a uma loja que se situa dentro dum enorme edifício, com uma fachada bastante moderna e comprovar se realmente o nível de vida Búlgaro é mesmo baixo. A moeda búlgara é LEV, e no câmbio funciona qualquer coisa como: por cada euro, recebemos 2 LEV. Na Bulgária podemos comer um saboroso gelado por 30 cêntimos, um Hamburger por 50 e podemos ainda comprar uma excelente casa, na melhor das zonas pela modesta quantia de 5 mil Euros, o que se a cidade fosse atractiva e menos perigosa, poderia mesmo vir a ser um excelente investimento. O problema é mesmo esse! As pessoas são muito desconfiadas, sente-se um enorme clima de tensão e insegurança no ar. As avenidas são largas, mas desorganizadas e confusas, e as ruas secundárias sujas e cheias de pequenas lojas de produtos duvidosos. A língua inglesa é absolutamente desconhecida e aconselho vivamente a se algum dos leitores estiver a pensar ir à Bulgária, a aprender pelo menos o básico da língua russa. Foi através dela que conseguimos reconhecer monumentos e ruas, já que tudo está em alfabeto cirílico e as pessoas, bem...não vale mesmo a pena tentar pedir informações. Para terem uma ideia, estivemos cerca de 1 hora a andar por toda a cidade à procura dum mercado para comprar água, e só encontramos quando cruzamos a linha do que é minimamente seguro na cidade. É tão difícil ser turista em Sofia...ficamos com a sensação que se pudessem, os búlgaros fechariam as fronteiras. No terminar do dia, encontramos por acaso, um Professor Norte-Americano que dava aulas de inglês para actores na Bulgária, e ainda ficamos a conversar cerca de 30 minutos e por entre algumas risadas e alguns assuntos mais sérios, algo que nós fixamos foi o facto de ter chamado Pequena Rússia à Bulgária. Interessante não?
Quando a noite ameaçava cair, fomos caminhando para a estação onde algumas horas de espera nos aguardavam, mas pelo menos estaríamos a salvo. À medida que o centro da cidade ia desaparecendo no horizonte, a velha Bulgária vinha à superfície.
Finalmente na estação, sentamo-nos nos antigos bancos de metal à espera do anunciar do nosso comboio e até aí tivemos de usar o russo. O nome Salónica em cirílico muda completamente, e se não tivéssemos atentos, possivelmente teríamos perdido o comboio e não sei o que aconteceria se estivéssemos ali madrugada dentro...
O regresso foi calmo, a nossa cabine, tal como a maioria delas estava vazia e pudemos descansar um pouco, dado que faziam 48 horas que não dormíamos. E assim, tudo parecia apontar para uma viagem tranquila, mas não...desenganem-se! Estive para ficar preso na fronteira uma vez que não se acreditavam que era realmente português e tive de me dirigir acompanhado por 2 polícia gregos e explicar que era estudante ERASMUS em ATEI e mesmo assim, ainda chegaram a preencher uma ficha com o meu nome e com a nacionalidade iraniana...Não fosse o Cris a vir comigo à sala e me lembrar para mostrar o cartão de estudante da Universidade de ATEI, teria lá ficado possivelmente a ser interrogado. A sorte não me protege mesmo nas fronteiras...

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